Os
tubarões, peixes de esqueleto cartilaginoso pertencentes
à classe chondrichthyes existem a cerca de 450 milhões de
anos e apresentam um excelente nível evolutivo, sofrendo poucas
alterações nos últimos 150 milhões de anos.
Atualmente existem cerca de 500 espécies viventes descritas,
adaptadas aos mais diversos nichos ecológicos, sendo encontradas
nos mares desde os trópicos até os pólos, assim
como em ambientes de água doce.
Sendo predadores de topo de cadeia, os tubarões são
essenciais para manter o equilíbrio nos ecossistemas marinhos.
Eles regulam a diversidade e abundância das demais
espécies, incluindo muitas de grande valor comercial e cuja
saúde populacional necessita da existência dos
tubarões. Sem estes animais para predar indivíduos
doentes, por exemplo, ou para consumir outros organismos que predam
sobre espécies que afetam recifes de coral, a saúde dos
ecossistemas marinhos declina. Eles agem também como instrumento
de seleção natural ao predar os mais lentos e mais fracos.
Enquanto algumas espécies de peixes conseguem se reproduzir
rapidamente e em grandes quantidades, renovando e recuperando seus
estoques naturais, os tubarões empregam grande quantidade de
energia na gestação de seus filhotes, fato que explica o
pequeno número de filhotes por ninhada e o longo período
entre as gestações. Possuem maturação
sexual tardia, muitos só a partir dos 15 anos. Vale ressaltar
que poucos indivíduos chegam a ter a chance de se reproduzir.
Apresentam ainda, uma taxa anual de reposição de apenas 3
a 4%, muito pouco para se recuperar das grandes perdas sofridas ao
longo dos anos.
Um dos motivos para a alta taxa de pesca dos tubarões é o
lucro que se pode obter através desta atividade. Suas barbatanas
são consideradas iguarias pelo povo oriental, além de ser
item de status, sendo servida em jantares, casamentos e outros eventos,
chegando a valer mais de 10 vezes o preço total da sua carne.
Com isso, criou-se a prática denominada finning, prática
essa onde suas barbatanas são retiradas e o animal é
jogado ainda vivo ao mar. Sem conseguir se movimentar e gravemente
ferido, o tubarão afunda podendo morrer por perda de sangue,
afogado ou como presa fácil para outros animais. A justificativa
dada para este ato cruel é que é muito mais lucrativo
encher o barco apenas com esta parte do animal (que possuem alto valor
de mercado) do que com todo o corpo do tubarão (em sua maior
parte a carne, que possui baixo valor).
Um estudo realizado pela IUCN em 2009 para determinar o estado de
conservação global das 64 espécies de
tubarões e raias de alto mar revelou que 32% estão
ameaçadas de extinção. De acordo com a lista
vermelha da Instituição, podemos listar as seguintes
espécies que evidências demonstram já estar
ameaçada de risco de extinção: são martelo,
balei, tigre-de-areia, azul, peregrino, mako, anequim-preto, marracho,
cação-bico-de-cristal, raposa, galha-branca, fidalgo,
cação-galhudo, cação-noturno.
Aliado à pesca desenfreada, os tubarões sofrem
preconceito pela sociedade. Podemos mencionar o filme
“Tubarão” , sucesso de bilheteria em 1975 e dirigido
por Steven Spielberg, que ajudou a desenvolver o medo e a antipatia do
público em relação a esses animais. Ainda hoje,
muitas pessoas acreditam que os tubarões são assassinos
sanguinários que merecem ser dizimados. Esse animal faz sempre o
papel de vilão, as pessoas os matam muitas vezes sem motivo
algum, apenas por acharem que isso é o certo a se fazer.
Além disso, estes animais recebem pouca atenção
das regras de pesca internacionais, sendo que a maioria das
nações nem apresenta leis para tal prática.
Sua extinção, ou até mesmo a
diminuição de populações de tubarões
pode acarretar graves problemas como no final dos anos 1980, na
Austrália, onde a pesca excessiva de algumas de suas
espécies originou um aumento das populações de
polvos, seu alimento natural. Estes se alimentavam em quantidades acima
do normal das populações de lagosta, trazendo grande
prejuízo para a indústria pesqueira.
Tubarões e o Brasil: o que Precisamos Fazer
Assim como no resto do mundo, os tubarões também
estão desaparecendo de forma acelerada de nossas águas,
causando danos graves aos nossos ambientes marinhos, ameaçando a
própria pesca a longo prazo e empobrecendo o mergulho
recreativo, o que tem reflexos econômicos diretos nas muitas
comunidades costeiras que têm nesta atividade uma importante
fonte de renda através de uma atividade
não-predatória. Infelizmente, as restrições
à pesca dos tubarões no Brasil são praticamente
inexistentes.
É preciso que se cumpra a Resolução 121-N do
Ibama, que obriga as empresas ao preenchimento dos relatórios de
captura. Empresas que beneficiam barbatanas compram e comercializam sem
cobrar esse procedimento e origem legal e também devem ser
responsabilizadas. Além disso, não existem áreas
protegidas para tubarões onde sua pesca seja efetivamente
proibida; e a matança criminosa é generalizada, o que se
comprova pelas recentes e múltiplas apreensões de
milhares de barbatanas de tubarão que seriam contrabandeadas
para a Ásia e que correspondem a centenas de milhares destes
animais mutilados.
Existe um comércio internacional bilionário e perverso de
barbatanas de tubarão no Brasil e estimamos que boa parte dele
atenda ao mercado asiático de forma clandestina. Apesar de
inúmeros exemplos teóricos e práticos demonstrados
ao longo dos anos e de ameaças de desequilíbrios em
diversas cadeias alimentares marinhas, os tubarões vêm
sendo pescados em quantidades alarmantes e insustentáveis.
Nosso ecossistema tem sido destruído devido à necessidade
de consumo desenfreado das atividades humanas, que não leva em
consideração que a extinção de
espécies é uma ameaça a nossa própria
sobrevivência. A proteção da biodiversidade requer
um esforço e dedicação por parte de todos, sendo
fundamental para o equilíbrio entre as espécies em todo o
mundo. Por isso, são necessárias cada vez mais
mobilizações da sociedade civil em prol da
preservação de animais que estão se extinguindo.